Um levantamento inédito da empresa Predictus revela que o
estado do Rio de Janeiro é um dos epicentros da judicialização da violência
contra a mulher no Brasil. Entre 2016 e 2026, o estado acumulou 853.845 ações
judiciais, o que representa 13,2% de todos os processos do país.
Esse volume coloca o Rio de Janeiro na segunda posição
nacional em números absolutos, ficando atrás apenas de São Paulo.
🟢 Indicadores de proteção
e incidência
A incidência da violência e a resposta institucional no Rio
de Janeiro apresentam números expressivos:
- Taxa
por habitante: São 4.879,1 processos para cada 100 mil habitantes, um
índice que reflete tanto a frequência dos casos quanto a capacidade do
sistema em registrá-los.
- Medidas
Protetivas: Foram registradas 454.340 medidas de urgência no período. Isso
significa que mais da metade dos processos no estado envolvem pedidos para
interromper situações de risco imediato.
- Baixo
Sigilo: Um dado que diferencia o Rio de Janeiro é que apenas 4,1% dos
processos correm em segredo de Justiça. Em estados como Rio Grande do Sul
e Santa Catarina, esse índice ultrapassa os 90%, evidenciando critérios
distintos de proteção à privacidade das vítimas.
🔴 O Cenário nacional e o desafio
do sistema
O Brasil registrou um crescimento de 64% nos processos de
violência doméstica entre 2016 e 2025, totalizando 6,47 milhões de ações.
Especialistas apontam que esse aumento pode indicar tanto o agravamento da
violência quanto a melhoria dos canais de denúncia.
Segundo Hendrik Eichler, fundador da Predictus, o sistema de
Justiça brasileiro ainda atua de forma majoritariamente reativa. O Judiciário
costuma ser acionado apenas quando a violência já atingiu níveis críticos,
evidenciando a necessidade de mecanismos mais preventivos no arcabouço legal.