O Progressistas (PP) anunciou neste domingo que o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, não será mais candidato a vice-governador do Rio de Janeiro na chapa encabeçada por Douglas Ruas (PL), presidente da Assembleia Legislativa (Alerj). Lisboa também ocupa o cargo de secretário-geral da legenda no estado.

A decisão do PP ocorre em meio a um duplo movimento de rearticulação política. De um lado, o partido sinaliza progressivo distanciamento em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), avaliando que a associação com o bolsonarismo se tornou um ônus eleitoral em algumas regiões. De outro, a legenda enfrenta turbulências internas na federação que integra com o União Brasil no estado, presidido por Márcio Canella.

Mácio Canella - União Brasil
Canella, que era pré-candidato ao Senado, foi preso em 7 de julho pela Polícia Federal durante uma operação que localizou um fuzil em seu veículo. O episódio isolou ainda mais o União Brasil no Rio e levou a própria federação a descartar a candidatura de Canella ao Senado. A crise expôs as fragilidades da aliança entre as duas siglas e reduziu o poder de barganha do PP nas negociações regionais.

Em nota oficial assinada pelo presidente do diretório estadual do Progressistas, deputado federal Dr. Luizinho, o partido justificou a desistência de Lisboa como uma decisão tomada "de forma respeitosa, preservando a excelente relação construída entre Rogério Lisboa e Douglas Ruas". O texto ressalta que Lisboa mantém "profunda admiração, respeito e amizade" pelo presidente da Alerj, reconhecendo sua "trajetória pública, capacidade de liderança e dedicação ao Estado do Rio de Janeiro".

Com o recuo do PP, a chapa de Douglas Ruas precisará negociar um novo nome para a vice-governadoria nos próximos dias. O desfecho deve acelerar o realinhamento das forças conservadoras no estado, que ainda têm outras candidaturas em fase de consolidação para o Executivo fluminense.