O ex-governador do Rio de Janeiro e candidato ao Executivo fluminense Anthony Garotinho (Republicanos) estreou nesta segunda-feira (31) no horário eleitoral gratuito, na TV e no rádio, com discurso que combinou apelo à memória de seu mandato e investida velada ao principal adversário, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD). A participação foi liberada por liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que suspendeu a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) que havia bloqueado seus recursos e a propaganda.

Em seu programa, de pouco mais de um minuto, Garotinho relembrou marcas de sua gestão, como o Cheque Cidadão, o Restaurante Popular e a construção da sede do Bope, em Laranjeiras. Na sequência, fez crítica indireta a Paes, sem citá-lo nominalmente, em movimento que busca contrastar seu legado com o adversário que lidera as pesquisas. A disputa já é marcada por trocas de ataques: Paes chamou o rival de "palhaço do picadeiro" e "caso perdido", e Garotinho reagiu falando em "instituições apodrecidas".

A coligação que apoia Paes pediu ao TSE, neste domingo (30), que volte a valer a decisão do TRE-RJ que restringiu o acesso de Garotinho a recursos públicos e ao horário eleitoral. O pedido reage à liminar concedida na sexta-feira (28) pelo ministro Floriano de Azevedo Marques. A petição sustenta que a inelegibilidade do ex-governador foi certificada pelo STF, valendo de 11 de julho de 2025 a 11 de julho de 2033, o que impediria o pleno exercício dos direitos políticos exigido pela Constituição.

O desfecho depende da análise do ministro sobre o pedido de reconsideração. Caso a liminar seja mantida, a coligação sinaliza que recorrerá ao colegiado do TSE, o que pode estender a disputa jurídica pelas próximas semanas. A permanência de Garotinho na corrida ainda depende da análise definitiva de seu registro pela Justiça Eleitoral, em um cenário que pode influenciar o desenho da disputa ao governo do Rio até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro.