A 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), principal evento cultural do município fluminense e um dos maiores festivais literários da América Latina, voltou a gerar controvérsia em 2026. Críticos apontam que a programação oficial privilegia debates de forte conteúdo político-ideológico em detrimento da pluralidade de pensamento.

Segundo opositores da curadoria, a edição deste ano consolida uma tendência observada nos últimos anos: a de que o evento — financiado por patrocinadores privados e apoiado por instituições públicas — concentra discussões em uma única perspectiva política, de orientação progressista. Os críticos afirmam que um festival literário de dimensão internacional deveria promover maior equilíbrio entre correntes intelectuais e abrir espaço para autores de distintas visões de mundo, incluindo conservadores e liberais.

Entre as mesas que geraram questionamentos está a "Estado de sítio, estado de sido, estase", marcada para sexta-feira (24), às 13h30, com a ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia. Na ocasião, ela apresenta o livro Pela mão do povo – Democracia e voto no Brasil, e a descrição oficial do evento indica que a conversa abordará "recentes ataques à democracia brasileira". No sábado (25), às 12h, a mesa "Se o delírio te eleva à potência do abismo" reúne João Cezar de Castro Rocha e Paulo Schiller para discutir, conforme a organização, "o autoritarismo e a ascensão da extrema direita". Já na quinta-feira (23), às 17h, "A infância volta devagarinho" traz o escritor italiano Andrea Bajani e Maria Esther Maciel para debater relações familiares e o chamado "amor compulsório" entre pais e filhos.

Para os críticos, em ano eleitoral, a participação de integrantes do STF e a centralidade de temas ligados ao cenário político brasileiro ampliam a percepção de que a FLIP extrapola seu papel estritamente cultural. A organização do evento, por sua vez, defende que a programação reflete uma proposta curatorial centrada em literatura, democracia, memória, guerras, migração e transformações sociais — temas que, segundo a curadoria, integram o debate literário contemporâneo.