Flávio Bolsonaro (PL) reagiu diretamente a uma postagem que defendia uma combinação improvável nas eleições de 2026. João Vitor, que se apresenta nas redes sociais como presidente da Juventude do MDB, publicou uma imagem declarando voto em Eduardo Paes (PSD) para o governo do Rio e em Flávio para a Presidência da República. O candidato do PL entrou na publicação para rejeitar a dobradinha.

"Eduardo Paes é soldado de Lula, trabalha pra Lula, é cupincha de Lula, pede votos pra Lula e quer Lula mais 4 anos afundando o Brasil", escreveu Flávio. Na sequência, pediu ao apoiador que vote em Douglas Ruas (PL), candidato de seu partido ao Palácio Guanabara.

A resposta deixa clara a estratégia do presidenciável no Rio. Flávio apoia Douglas Ruas e tem buscado vincular o candidato do PL à sua campanha, enquanto Paes integra o campo de apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A ligação nacional de Paes com Lula é, inclusive, um dos argumentos usados pelo PL para tentar impedir que ele atraia eleitores de direita.

Na legenda, João Vitor afirma que seus candidatos são "Eduardo Paes 55 para governador e Flávio Bolsonaro 22 para presidente". Ele justifica a escolha dizendo considerar capacidade, trabalho e resultado acima das diferenças partidárias. A combinação, porém, contraria diretamente a posição pública de Flávio, que tem insistido no palanque estadual de Douglas Ruas.

A reação do presidenciável ganha peso pelo contexto político da família Reis, à qual João Vitor está ligado. Embora o presidente estadual do MDB, Washington Reis, tenha se aliado a Paes e indicado a irmã, Jane Reis, como vice na chapa, o grupo mantém proximidade histórica com o bolsonarismo. Em julho, Flávio visitou Duque de Caxias e foi recebido por Netinho Reis, sobrinho de Washington, e voltou à cidade em 21 de agosto para uma carreata, já em plena campanha.

A resposta do presidenciável, no entanto, deixa claro que essa convivência não significa autorização para uma dobradinha eleitoral. Para Flávio Bolsonaro, no Rio, o palanque estadual é o de Douglas Ruas — e não o de Eduardo Paes.