O Sul Fluminense está em estado de alerta máximo diante da iminente formação de um Super El Niño, um fenômeno climático com potencial para ser histórico. A probabilidade de sua ocorrência saltou para impressionantes 98% até o fim de 2026, com riscos significativos de chuvas intensas, deslizamentos de terra e ondas de calor acima da média histórica, conforme o mais recente boletim da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

A velocidade com que as projeções meteorológicas evoluíram surpreendeu os especialistas. Em apenas duas semanas, a chance de formação do El Niño entre maio e julho subiu de 61% para 82%, atingindo quase a totalidade para os meses seguintes. Meteorologistas já discutem a possibilidade de um evento rivalizando com os Super El Niños de 1997-1998 e 2015-2016, e até mesmo o último registrado em 1870, com modelos europeus indicando um aquecimento da superfície do Pacífico próximo de +3,2°C.

Para a região do Sul Fluminense, que engloba municípios como Volta Redonda, Barra Mansa, Resende, Angra dos Reis, Paraty e Itatiaia, o cenário aponta para riscos duplos chuvas intensas e deslizamentos, e ondas de calor.

As áreas mais vulneráveis são as regiões serranas e o litoral da Costa Verde. Municípios como Itatiaia, que já registrou -6,8°C este ano, e as cidades costeiras de Angra dos Reis e Paraty, com seu relevo acidentado e proximidade ao mar, são pontos de atenção máxima. A combinação de solos ressecados pelo inverno e chuvas concentradas pode agravar a situação.

O El Niño também pode dificultar a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), com potencial para anomalias positivas de chuva no centro-sul do Rio de Janeiro e episódios de veranicos, dependendo de sua intensidade. Além disso, o fenômeno tende a fortalecer o jato subtropical e dificultar o avanço de massas de ar polar, favorecendo um calor mais frequente e prolongado no Sudeste durante a primavera e o verão.

A MetSul Meteorologia aponta o trimestre de setembro a novembro como o período mais crítico para a região, marcando a transição do inverno seco para o início das chuvas de verão. A população é orientada a acompanhar de perto os comunicados oficiais e os mapas de alertas meteorológicos, especialmente em cenários de chuva forte, calor extremo e risco de enchentes nos próximos meses.