Barra Mansa / Rio Claro / Angra dos Reis – Principal ligação terrestre entre o Sul Fluminense e a Costa Verde, a RJ-155 (Rodovia Saturnino Braga) enfrenta um cenário crítico de conservação ao longo de seus quase 90 quilômetros de extensão. A estrada conecta a Via Dutra, na altura de Barra Mansa, à Rodovia Rio-Santos, em Angra dos Reis, funcionando como corredor alternativo para escoamento de produção, turismo e deslocamento regional.
Hoje, no entanto, a via administrada pelo Departamento de Estradas e Rodagem do Rio de Janeiro (DER-RJ) apresenta pavimento comprometido, ausência de acostamento na maior parte do traçado e falhas estruturais que elevam o risco de acidentes.
Mais de 80% da rodovia não possui acostamento. Em caso de pane mecânica ou colisão, motoristas ficam sem área de escape, obrigados a permanecer na pista simples — muitas vezes em trechos sinuosos de serra.
O asfalto apresenta deformações, buracos profundos, remendos irregulares e perda de camada de rolamento. Em dias de chuva, a drenagem deficiente agrava a situação, formando lâminas d’água e reduzindo a aderência dos veículos. A situação mais crítica é em Rio Claro, município com o maior trecho da rodovia – cerca de 50km. O prefeito Babton Biondi cita a situação exige investimentos municipais, principalmente no verão.
“A gente está sempre buscando todos os relatórios da Defesa Civil relacionados a deslizamentos. Eles já foram entregues ao DER para que atitudes sejam tomadas. Também pedimos a volta dos radares, que foram retirados daqui, o que causa transtorno dentro dos nossos distritos. O investimento que podemos fazer aqui, nós fazemos, dentro das nossas limitações financeiras. Alguns trechos quem atende de imediato é o município”, afirmou o prefeito.
Combinação Perigosa
Especialistas em engenharia rodoviária apontam que a combinação entre pista simples, tráfego pesado (incluindo caminhões) e ausência de áreas de refúgio aumenta o risco operacional da via, sobretudo no período noturno.
Outro ponto crítico são os três túneis localizados no trecho de serra, também em Rio Claro. Motoristas relatam infiltrações, desgaste do revestimento interno, piso irregular e ausência de iluminação adequada. Quem vive na estrada e percorre a RJ-155 diariamente sente na pele os riscos das más condições de conservação da via. O Antônio Paulo de Souza é dono de uma peixaria em Lídice e vai todos os dias para Angra dos Reis. E relata que a situação da estrada causa prejuízos diariamente.
“A gente tem que procurar o buraco que não vai cair nele. Eu viajo todo dia carregado com 700, 800 quilos de peixe. E danifica o carro. Amortecedor tem que fazer manutenção toda semana. Você faz um alinhamento na segunda-feira e na terça tem que fazer de novo, mesmo andando com cuidado”, complementou o comerciante.
Riscos Estruturais
Além do desconforto e da insegurança, há preocupação com possíveis riscos estruturais. A falta de manutenção preventiva amplia a percepção de vulnerabilidade em uma área que exige controle permanente de encostas e estruturas de contenção.
A sinalização horizontal (faixas no pavimento) encontra-se apagada em diversos segmentos. Já a sinalização vertical apresenta placas danificadas ou insuficientes, especialmente em curvas acentuadas e trechos de declive.
A ausência de tachas refletivas e pintura termoplástica compromete a visibilidade noturna — um fator crítico em rodovia de traçado sinuoso e sem iluminação pública.
Prefeitos da região também têm se mobilizado em busca de uma solução federal para a rodovia, com o objetivo final de privatizar a via. A Dutra e a Rio-Santos já estão sob concessão da RioSP. A inclusão da RJ-155 em eventual reestruturação contratual poderia integrar o eixo logístico sob um único modelo de gestão.
Na avaliação técnica, a federalização permitiria acesso a orçamento próprio da União e possibilidade de futura concessão integrada, com metas de duplicação, recuperação estrutural e modernização.
A idéia é que uma vez que as duas rodovias, as BRs 116 e 101, já estão concessionadas, seria importante a federalização dessa estrada, para que recebesse investimentos tanto do Governo Federal quanto das empresas que fazem a concessão, tendo em vista que as pessoas, para transitarem entre uma rodovia e outra, tem que trafegar pela RJ-155.