O cenário político fluminense ganhou um novo capítulo de incerteza e disputa nesta semana. O Partido Liberal (PL) protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) exigindo que o futuro presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), uma vez empossado, assuma imediatamente o cargo de governador em exercício do estado.

A movimentação do PL ocorre apenas quatro dias após a eleição de seu candidato, Douglas Ruas, para a presidência da Alerj, um pleito que, horas depois, foi anulado por uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). A Alerj agora busca eleger um novo presidente até a próxima quinta-feira, mas a indefinição sobre o comando do Palácio Guanabara persiste.

No cerne do pedido do PL está a contestação à permanência do desembargador Ricardo Couto como governador em exercício. Atualmente, Couto ocupa o cargo interinamente e, segundo uma decisão do STF, permanecerá na função até o dia 8 de abril. Nesta data crucial, os ministros do Supremo definirão o futuro político do Rio: se o estado terá eleições diretas, com voto popular, ou indiretas, com a escolha feita pela própria Alerj, para um mandato-tampão.

O Partido Liberal argumenta que a manutenção de um membro do Poder Judiciário na chefia do Executivo, após a escolha de um novo presidente da Alerj, é insustentável democraticamente. "A interinidade exercida por um magistrado carece do elemento essencial da democracia representativa: o sufrágio popular", destaca um trecho do pedido do PL, reforçando a ideia de que o comando do estado deve emanar da representação política eleita.

A questão das eleições para governador no Rio segue indefinida e gera intensos debates nos bastidores. Ministros do STF avaliam que ainda não há uma tendência de maioria formada sobre o modelo de escolha do novo governador. As conversas internas nos próximos dias serão decisivas para o veredito de 8 de abril.

Outros partidos também se manifestam sobre o tema. Na última sexta-feira, o Partido Social Democrático (PSD) já havia protocolado uma ação no STF pedindo a realização de eleições diretas para o cargo. Caso o Supremo decida pela eleição direta, os eleitores fluminenses poderão ter de ir às urnas duas vezes em 2026: uma para escolher o governador para o mandato-tampão e outra para as eleições gerais, junto com o restante do país.

A crise política no Rio de Janeiro, que já se arrasta há meses, ganha novos contornos a cada decisão judicial e movimento partidário, mantendo a população e o cenário político em estado de alerta e expectativa.