Angra dos Reis/RJ – Na manhã desta terça-feira, 24 de março de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Caça Fantasmas, comandada pelo delegado federal Frederico Bomtempo Botti para investigar irregularidades na Câmara Municipal de Angra dos Reis. O foco é o possível uso indevido de recursos eleitorais e da estrutura pública para campanha política, com destaque para o vereador Greg Duarte, alvo das buscas.
Policiais federais cumpriram cinco mandados de busca e apreensão em Angra dos Reis, Rio de Janeiro e Juiz de Fora/MG. As ações atingem residências, um escritório de advocacia e o gabinete parlamentar do vereador Greg Duarte na Câmara Municipal de Angra dos Reis. A investigação apura a nomeação de assessores sem efetivo exercício de funções, ligada a omissões de despesas e fraudes em contratações durante a campanha eleitoral.
Entre os indícios, destaca-se uma assessora do gabinete investigado que cursava medicina presen-cial em tempo integral em Juiz de Fora/MG e atuava como cirurgiã-dentista na mesma cidade. Isso torna impossível o exercício simultâneo do cargo público em Angra dos Reis. A análise de prestações de contas eleitorais revelou declarações falsas, com omissão de gastos e informações distorcidas sobre serviços e repasses de recursos.
Os dados sugerem uma estrutura organizada para desvio de finalidade em cargos públicos, similar a “rachadinhas”, em que ocupantes de funções repassam parte dos salários para fins eleitorais. Há suspeitas de apropriação indevida de recursos e instrumentalização da função pública para apoio político.
A Polícia Federal continuará as investigações com o material apreendido. Os envolvidos, incluindo o vereador Greg Duarte, podem responder por falsidade ideológica eleitoral, peculato-desvio e abuso de poder político e econômico. Operação Caça Fantasmas
Vereador acusa
delegado federal
de “picuinha”
O vereador Greguy Duarte (PL) usou a tribuna da Câmara Municipal para acusar o delegado Clayton de perseguição por “picuinha pessoal”. Duarte negou ter assessores fantasmas na Operação Caça Fantasmas, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (24/3).
Na sessão da Câmara, Greguy Duarte se defendeu veementemente: “Não acharam dinheiro nenhum comigo, não possuo nenhum assessor fantasma. Cada assessor meu faz uma função específica”. Sobre a assessora citada, ele afirmou: “É indicada do meu advogado e faz todas as minhas análises de pauta e projetos de lei”. O vereador questionou as motivações da PF: “O Delegado Cleiton promoveu todo esse circo só pra dar mídia mesmo. Ou você acha coincidência a ex-mulher do Greg ter se tornado atual mulher do Delegado?”. Ele ainda postou fotos da ex-mulher nas redes sociais para sustentar a alegação de perseguição pessoal, motivada pelo relacionamento de um ano que tiveram. (continua)
A reação
Em reação, o delegado Cleiton registrou Boletim de Ocorrência nº 166-01676/2026 na 166ª DP por calúnia, injúria e difamação, com pedido de prisão preventiva contra Duarte. A esposa do delegado, atual parceira dele e ex de Greguy, protocolou queixa na Deam pelo crime de exposição indevida, citando a divulgação de fotos pessoais nas redes.
O delegado Clayton também entrou com ação no Juizado Especial Cível por danos morais (nº 0801857-29.2026.8.19.0003), onde apresentou certidão federal com o nome e matrícula do Delegado Federal Frederico Bomtempo Botti como o delegado responsável pelas investigações da Operação Cartas Marcadas.
Nota do PL
Em nota, o diretório do PL Costa Verde informou que tomou conhecimento da operação pela imprensa, reafirmou não compactuar com irregularidades e confiou no devido processo legal, no contraditório e na ampla defesa. O partido aguarda apuração completa pelas instituições.
O caso ganha contornos extras com as denúncias cruzadas, e a Justiça Eleitoral pode avançar com novas diligências, dependendo da análise do material da PF e das queixas registradas.
O que não foi dito
•O vereador Greguy Duarte não explicou o motivo da “picuinha”.
•Também não disse que o delegado que conduz a investigação não é o mesmo que é casado com sua ex.
•Que a funcionária “fantasma” trabalha diariamente como dentista em consultório particular
•Que o seu advogado também é nomeado na Câmara Municipal de Angra dos Reis com cargo de Subprocurador-Geral e carga horária de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 17h.
•Que os mandados foram expedidos pela Justiça Eleitoral
•Que os investigadores da Delegacia Federal encaminham o apurado ao Ministério Público que avalia os dados e provas dos supostos crimes e só após a manifestação do MP é que o caso segue para o judiciário, que expede ou não os mandados.