O articulista José Lima, pai de Natan Tenório de Carneiro, de 19 anos, vítima de homicídio na tarde de segunda-feira, dia 16 de fevereiro, na Serra D’Água, clama por justiça e não se conforma com o fato de o apontado pelas investigações como responsável pela morte de seu filho, Riquelme Silva Santos, de 24 anos, estar solto

O caso foi rapidamente elucidado pelo Setor de Homicídios da 166ª DP que, em mais uma demonstração de compromisso com a segurança da população de Angra dos Reis, concluiu as investigações em curto prazo.

Na ocasião, as diligências apontaram que Natan se envolveu em vias de fato com Riquelme Silva Santos. O acusado teria desferido um soco no rosto de Natan, que caiu e bateu a cabeça na quina de um muro, em frente ao imóvel onde houve o desentendimento entre eles. O golpe teria causado o desmaio imediato da vítima. Natan chegou a ser socorrido pelo SAMU, mas não resistiu aos ferimentos e morreu durante o deslocamento até o Hospital Municipal da Japuíba.

Além de ter desferido o golpe, Riquelme não teria prestado socorro à vítima. Segundo as investigações, ele teria simplesmente voltado para o bar ao lado do imóvel onde a tragédia aconteceu e onde já estava antes do ocorrido,  para continuar bebendo, como se nada tivesse acontecido, enquanto Natan permanecia caído no chão, desacordado. Ele só deixou o local ao perceber a chegada do SAMU. 

Na ocasião, os agentes do Setor de Homicídios da 166ª DP realizaram diligências na residência de Riquelme e constataram que ele havia retirado pertences pessoais e deixado o bairro.  Mas a última informação era de que ele havia se apresentado na 166ª DP. Ele foi ouvido e liberado em seguida. 

A revolta de um pai

Natan foi sepultado na terça-feira, dia 17 de fevereiro, no Cemitério da Serra D’Água, em Angra dos Reis. O velório ocorreu na Igreja de Jesus Cristo dos Últimos Dias, na Avenida Jair Toscano de Brito, na Praia da Chácara.

Seu pai  usou as redes sociais para expor o crime, apontar o autor e pedir justiça. Veja um dos textos publicados por ele:

“Venho a público externar meu profundo agradecimento pelas significativas e comoventes demonstrações de apoio e solidariedade dirigidas a mim e à minha família por ocasião do trágico falecimento de meu filho, Natã Tenório, aos 19 anos de idade.

Registro, com especial consideração, o reconhecimento aos servidores da Secretaria Municipal de Segurança Pública de Angra dos Reis, bem como ao seu titular, o secretário Douglas Ferreira Barbosa, pela dedicação incansável e pela assistência prestada nos momentos de extrema vulnerabilidade, proporcionando as condições necessárias para que o sepultamento e a despedida de meu filho fossem realizados com a dignidade inerente à condição humana e ao respeito pela vida.

A dor que me habita é de natureza irreparável, mas a consciência do dever moral na busca por justiça sustenta-me em pé, firme na exigência de respostas compatíveis com a gravidade dos fatos.

Natã repousa em sepultura. O autor de sua morte permanece em liberdade, sem expedição de mandado de prisão até o presente momento, circunstância que, além de aprofundar o sofrimento, amplia a legítima e imperiosa expectativa social por uma atuação resolutiva das autoridades competentes.

Reitero minha confiança no empenho das instituições responsáveis pela investigação e responsabilização legal e reafirmo meu compromisso inabalável com a busca por justiça, em memória à vida interrompida de forma tão injusta.”

Em outra publicação, ele volta a clamar por justiça. Leia o texto divulgado:

“Clamo a Deus por fortaleza para suportar o insuportável e perseverar na busca da justa responsabilização daquele que ceifou a vida de meu filho, Natã Tenório. Hoje me vi constrangido a cumprir o ofício mais árduo que pode recair sobre um pai: escolher as palavras que selarão sua lápide. Não há ordem natural que justifique tal inversão. O coração sucumbe, a alma silencia, e ainda assim me ergo.

Entre lágrimas, procuro compreender o que se passa com a justiça nesta cidade. Até o presente momento, nem eu nem a mãe de Natã fomos chamados a depor, embora tenhamos muito a contribuir para o pleno esclarecimento dos fatos. Não há, tampouco, notícia de mandado de prisão contra o autor do crime. A ausência de providências concretas alimenta a sensação de impunidade, projeta um véu de descrédito sobre as instituições encarregadas de nos proteger e agrava a ferida aberta em nossa comunidade.

Ergo, portanto, minha voz, não movido por ressentimento, mas por um dever moral que não consente repouso. Convido a sociedade civil, autoridades, formadores de opinião e todos os que prezam a dignidade humana a unirem-se a mim, José Lima, em um clamor firme e sereno por justiça. Que cesse o escândalo de ver meu filho confinado ao silêncio do túmulo, enquanto o responsável por sua morte permanece livre. Que a lei se manifeste com a gravidade que o caso exige e que a verdade encontre seu curso.

Nos próximos dias, iniciarei uma mobilização pública, convocando lideranças, artistas e cidadãos de boa-fé. Não busco vingança; reclamo justiça, não como privilégio, mas como princípio. Por Natã. Pela memória que nos sustenta. Pela ordem que deve prevalecer.”