Um médico plantonista da UPA Infantil de Angra dos Reis fez um alerta público nesta terça-feira, dia 7 de janeiro, sobre o aumento expressivo de atendimentos a crianças com sintomas gastrointestinais na cidade. O médico Wagner Novaes Junior, que atua na unidade que fica na Japuíba, divulgou a informação e relatou  a situação vivenciada em seu plantão em sua página no Instagram, (dr.wagner-novaesjr).  

De acordo com o profissional, há indícios de um possível surto, não apenas em Angra dos Reis, mas também em outros municípios do estado do Rio de Janeiro, envolvendo principalmente crianças com sintomas como vômitos persistentes, diarreia e febre. Ainda não há confirmação oficial da causa, mas tudo indica que se trate de um quadro viral. Estudos epidemiológicos estão sendo realizados, com coleta de amostras por meio de swab, por iniciativa da direção da unidade.

O médico chamou atenção para um fator comum observado na maioria dos casos atendidos: todas as crianças teriam tido contato recente com água, seja de praia, cachoeira, piscina, mangueira, tanque ou até mesmo durante o banho doméstico. Por isso, ele reforça a necessidade de atenção redobrada com a qualidade da água utilizada.

Wagner Novaes também destacou os principais sinais de alerta para quadros mais graves, especialmente a desidratação severa. Entre os sintomas estão boca seca sem saliva, olhos secos, ausência de lágrimas, prostração intensa, hipotonia e falta de resposta a estímulos. Febre alta persistente, retor-nando a cada quatro horas por mais de dois dias, além de vômitos e diarreia contínuos, também exigem avaliação médica imediata.

Segundo o profissional, tanto casos leves quanto graves estão sendo registrados, e a correta estratificação clínica é fundamental para definir se há necessidade de internação ou se o tratamento pode ser feito em casa, com hidratação frequente e acompanhamento médico. Ele reforçou que qualquer medicação deve ser administrada apenas com orientação profissional.

Ao final do relato, o médico elogiou o trabalho da equipe da UPA Infantil Agda Maria, destacando o empenho de todos os colaboradores. Segundo ele, nos últimos três dias de plantão, o tempo de espera por atendimento não ultrapassou uma hora, mesmo com o aumento da demanda, ressaltando que a unidade é referência no atendimento pediátrico em toda a região.

O médico encerrou o alerta com um tom de gratidão e reconhecimento, destacando o compromisso da equipe com a saúde das crianças do município, mesmo diante da sobrecarga do sistema de saúde.

Infelizmente nossa reportagem teve acesso à informação de que o problema não atinge só os pequenos. No Serviço de Pronto Atendimento (SPA), de Jacuecanga, por exemplo, a  grande maioria dos atendimentos com os sintomas citados acima são de adultos.