Em uma reviravolta no caso que chocou Paraty em 2018, o Tribunal do Júri absolveu, na última quarta-feira (25 de março), o pai e o filho que eram acusados de assassinar o artista plástico francês Cedric Alexandre Vacherie Jaurgoyhen. A decisão encerra um longo processo judicial que manteve a atenção da comunidade local.

O crime, marcado pela brutalidade, ocorreu há oito anos no sítio onde o artista residia, na Estrada da Colônia, em Barra Grande, uma localidade afastada do centro histórico de Paraty. Cedric Alexandre foi encontrado com um tiro de espingarda na cabeça, e sua residência havia sido incendiada, levantando uma série de questões e suspeitas.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, a motivação para o crime estaria ligada a uma dívida em dinheiro que a vítima teria com um dos acusados, referente a um serviço prestado no sítio. Além disso, o MP apontava que um dos suspeitos estaria inconformado com a decisão do artista de alterar o local de uma passagem que daria acesso à propriedade da família dos réus.

Durante o júri popular, realizado em Paraty, um dos pontos cruciais foi o depoimento de uma testemunha. Entre 2018 e 2019, esta testemunha teria sido supostamente ameaçada após prestar declarações no Inquérito Policial, cuja identidade era sigilosa. Contudo, pai e filho teriam obtido cópias do depoimento e da identidade da testemunha, o que levou a alegações de ameaças para que ela mudasse seu testemunho.

No entanto, durante a sessão do júri, ao responder aos quesitos apresentados, a própria testemunha negou ter sido vítima de ameaças praticadas por pai e filho. Essa declaração foi determinante para o desfecho do julgamento.

  • Absolvição por Homicídio: Os jurados responderam negativamente à participação dos réus no assassinato, levando o juiz a absolvê-los por não existirem evidências suficientes.
  • Absolvição por Ameaça: A acusação de ameaça à testemunha também resultou em absolvição, uma vez que a mesma negou veementemente ter sofrido qualquer intimidação por parte dos acusados.

Como resultado da decisão do júri, foi expedido um alvará de soltura para o filho, que estava preso desde 2024. As medidas cautelares impostas ao pai, que havia sido preso preventivamente em 2019 mas aguardava o julgamento em liberdade, foram revogadas. A absolvição marca o fim de um capítulo doloroso e complexo na história criminal de Paraty, trazendo um desfecho inesperado para um caso que se arrastou por anos.