Moradora de Angra dos Reis, uma idosa de 64 anos afirma estar vivendo, desde dezembro do ano passado, um verdadeiro drama após um acidente doméstico que, segundo ela, foi negligenciado pó uma médica do Hospital Municipal da Japuíba (HMJ). Morando sozinha, a paciente depende atualmente da ajuda de amigos para sobreviver, já que se encontra acamada e sem condições financeiras ou físicas para cuidar da própria saúde.
Cely Gomes procurou a redação e enviou um vídeo relatando o que classifica como uma falha no atendimento da médica que avaliou o seu primeiro exame no hospital. Segundo ela, o acidente ocorreu no dia 16 de dezembro. Inicialmente, não acreditou que fosse algo grave, mas dois dias depois, no dia 18, as dores se intensificaram e ela decidiu buscar atendimento no HMJ.
Na unidade, uma médica solicitou a realização de um exame de raio-x. No entanto, durante o atendimento houve troca de profissional, e a médica que avaliou o exame afirmou que não havia qualquer fratura. Mesmo com Cely insistindo que sentia dores intensas, a profissional teria reiterado que não havia nenhum problema e chegou a afirmar que, em pouco tempo, ela estaria até “jogando bola”.
Sem alternativa, Cely retornou para casa. As dores, porém, só aumentaram. Confiando no diagnóstico recebido, ela suportou a situação até o dia 24 de dezembro, quando passou mal e precisou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que a levou novamente ao HMJ.
Desta vez, além de uma nova radiografia, foi realizada uma tomografia, que constatou a gravidade do quadro: quatro costelas quebradas e um pulmão perfurado. A partir daí, segundo ela, começou o que define como uma verdadeira via-crúcis. Apesar de ter passado por drenagem para retirada de líquido do pulmão, Cely afirma que nunca mais voltou a ser a mesma e continua enfrentando sérias complicações decorrentes da queda e da demora no diagnóstico.
A idosa relata ainda que se sente completamente desamparada pela rede municipal de saúde. No dia 2 de janeiro, voltou a passar mal, com falta de ar, mas foi informada pelo médico que a atendeu que ela estava bem. Já no dia 18 de janeiro, retornou novamente ao hospital com fortes dores no pulmão, quando foi constatada, mais uma vez, a presença de líquido no órgão, em quantidade ainda maior do que na primeira vez.
Atualmente, Cely encontra-se acamada em casa, sem recursos financeiros. Assalariada, ela se vou impedida de voltar ao seu trabalho de cuidadora, com o qual complementava a renda obtida através do LOAS, já que é cardiopata e já teve quatro infartos. Ala afirma não ter condições de realizar sequer os curativos necessários, já que não consegue se deslocar. Segundo o relato, nem a unidade básica de saúde do bairro nem o Hospital Municipal da Japuíba disponibilizam atendimento domiciliar. Resumindo ela não tinha como ir ao Hospital de Praia Brava e não tem como ir fazer curativos nem no posto de saúde do bairro onde mora e muito menos no HMJ.
“Eu poderia ter morrido de infecção generalizada. Não consigo fazer nada em casa”, desabafa. A idosa pede que a Secretaria Municipal de Saúde tome ciência do caso e dê atenção a pessoas que, como ela, se encontram em situação de extrema vulnerabilidade. Cely lamenta ainda a dependência de terceiros, ressaltando que sempre foi uma pessoa ativa e hoje vive confinada à cama.
Ela afirma também que não estava conseguindo nem transporte para se deslocar até o Hospital da Praia Brava, onde tinha uma consulta agendada para esta quinta-feira, dia 29. Ela explicou que precisa da avaliação de um outro profissional, pois toda a vez que procura o HMJ, os médicos só receitam dipirona, ipuprofeno ou tramal. Sem apoio do poder público, Cely segue contando apenas com a solidariedade de amigos enquanto aguarda providências das autoridades de saúde.