O Rio de Janeiro amanheceu nesta terça-feira sob uma nova diretriz na segurança pública, com o governador em exercício, desembargador Ricardo Couto de Castro, implementando um “choque de gestão” que resultou na exoneração de cargos-chave do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). A medida visa um drástico enxugamento da máquina pública e a redefinição das atribuições do órgão, que, segundo o novo comando, havia extrapolado sua função original.
As exonerações, publicadas no Diário Oficial, atingem principalmente os consultores da área de segurança pública ligados ao ex-governador Cláudio Castro. A intenção de Couto é clara: que esses profissionais retornem às suas instituições de origem, como as polícias Civil e Militar, e que o GSI se limite estritamente à segurança do governador, à semelhança da antiga Casa Militar.
Durante a gestão Castro, o GSI, instalado no Palácio Guanabara, sede do governo estadual, tornou-se o principal consultor da política de segurança do estado. Composto por policiais civis, militares e bombeiros, o gabinete era responsável por uma gama de atividades que incluíam a coordenação de drones e a elaboração de dossiês de inteligência. A estrutura, agora, é considerada inchada e distante de sua missão fundamental.
Entre os nomes de peso que perderam seus cargos estão:
- O delegado Edu Guimarães de Souza.
- Os comissários Fernando Cezar Jorge Hakme e José Carlos Pereira Guimarães.
- O coronel Gilmar Tramontini da Silva, com passagens pelo Bope, 7º BPM e GSI, que estava lotado no Detran e deve retornar à Polícia Militar.
Fernando Cezar Jorge Hakme era uma figura central na administração anterior, considerado o principal consultor de Cláudio Castro para a segurança pública e sempre presente nas reuniões estratégicas ao lado de nomes como Nicola Miccione e Rodrigo Abel. Hakme, policial aposentado, estava no Palácio Guanabara desde o governo de Sérgio Cabral e, em 2023, chegou a receber R$ 882 mil referentes a férias não tiradas.
Para a vaga de Edu Guimarães, foi nomeado o delegado Roberto Lisandro Leão, que recentemente deixou a Corregedoria da Força Municipal. A reestruturação de Couto busca realocar um contingente significativo de policiais – estimados em cerca de 3 mil – que atualmente atuam fora das secretarias e forças policiais, devolvendo-os às suas funções de origem e reforçando o efetivo nas ruas.
A movimentação no cenário político e de segurança do Rio ocorre em um momento crucial, com o Supremo Tribunal Federal (STF) agendado para definir em 8 de abril os detalhes sobre a eleição do próximo governador do estado, adicionando uma camada extra de expectativa às decisões do atual governo em exercício.