A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) deu um passo decisivo nesta quarta-feira ao anunciar a formação de uma Comissão Especial com a missão de promover um profundo corte de gastos e buscar o equilíbrio fiscal do estado. A iniciativa surge em um momento crucial, com a previsão de um déficit alarmante de R$ 13 bilhões nas contas estaduais para 2027.
A nova comissão, que promete ser uma força-tarefa contra o desequilíbrio financeiro, será presidida pelo deputado Douglas Ruas (PL). Além dele, foram designados para compor o colegiado os deputados Jair Bittencourt (PL), Alan Lopes (PL), Bruno Dauaire (Federação União-PP), Tia Ju (Republicanos) e Célia Jordão (PSD).
Em suas primeiras declarações, o deputado Douglas Ruas enfatizou a seriedade da empreitada. "Essa comissão terá a missão de fazer um diagnóstico aprofundado das contas públicas e identificar caminhos para conter despesas, corrigir distorções e garantir maior responsabilidade fiscal, contribuindo para que o estado avance com equilíbrio e planejamento", afirmou Ruas.
O foco da comissão será amplo, englobando uma análise minuciosa do Orçamento do estado e o acompanhamento da evolução das despesas dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Ruas detalhou alguns dos pontos críticos a serem investigados:
- O arcabouço de leis que rege o funcionalismo público, buscando entender por que a despesa com pessoal cresceu o dobro da receita no período.
- As suplementações orçamentárias, com o objetivo de definir "travas" para gastos não autorizados em um cenário de déficit fiscal.
Nos bastidores da Alerj, a criação do grupo reflete uma preocupação crescente com o cenário financeiro fluminense e a necessidade urgente de revisão dos gastos permanentes. Há quem interprete a manobra também como uma resposta às frequentes exonerações promovidas pelo governador em exercício, o desembargador Ricardo Couto.
A discussão ganha ainda mais peso às vésperas do início da tramitação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, que já projeta o expressivo déficit. A expectativa entre os parlamentares é que a comissão especial se estabeleça como um fórum permanente para debater a eficiência da máquina pública, avaliar contratos, revisar despesas e aprimorar os mecanismos de controle orçamentário, buscando um futuro mais sustentável para as finanças do Rio de Janeiro.